quarta-feira, 26 de abril de 2017

O senso comum que afirma "Lula é um ladrão", “chefe de quadrilha”, ou os que afirmam, “mas o PT não é corrupto, não é bem assim”, são ambos um reflexo da mínima capacidade crítica sobre a política nacional. O quadro atual político (Congresso, Judiciário e mídia) é de uma complexidade desafiadora. Não cabe nenhum simplismo afirmativo ou negacionismo definitivos. Parece que a realidade política geralmente está além dos lados que querem se impor como verdades tácitas.


A absorção sem filtros, sem qualquer postura crítica na leitura dos meios de comunicação, nos tem deixado como consequência um lamentável baixo nível discursivo político, bastante representativo e explícito socialmente.


O problema não será nunca o ataque ou a defesa de um partido político ou de um dos seus líderes, o problema está no discurso simplista construído em base a uma enorme pobreza crítica e argumentativa. Válido tanto para as crenças de que “Lula é um ladrão”, como para “o PT não fez corrupção, não é bem assim”. Não deixando de ser chamativo a anormalidade de se discutir a política brasileira tendo como referência apenas a um partido; a defesa ou o ataque estão absolutamente centrados hoje no PT. E essa centralidade não deixa de evidenciar a exclusão de outros fatores e atores políticos. Certamente, seja lá tudo o que isso indique, parece que se discutia menos sobre política nos anos 90 de FHC.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Se o assunto político nacional é um apartamento triplex, supostamente de propriedade de um ex-presidente e de sua mulher (já falecida), mas que os mesmos alegam não ser e ainda não há provas de que eles sejam realmente os donos. Há na divulgação do caso um evidenciado excesso e abuso midiáticos. Se isso não expõe uma anormalidade, então o que hoje no Brasil se determina como fato de suma importância na política nacional? Diante de um governo Michel Temer, a realidade política hoje desarmada de democracia e que há um ano assistiu aos votos populares das eleições de 2014 serem anulados pelo Congresso, consequentemente, em prol de um governo ilegítimo. Mas o triplex que é ou não é do ex-presidente..

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O triplex e os pedalinhos mais falados do mundo

Quantos somos os que sabemos que o depoimento de Léo Pinheiro não era delação premiada? e que o empresário depôs em condição de co-réu? E que seu depoimento não fará parte do processo? Mas apesar de tais considerações, o tratamento dado pela mídia ao depoimento do empresário, ex-OAS, foi como a revelação da verdade. Nessas condições, ficam evidentes o abuso e a distorção no uso da informação.


Pedalinhos, reforma do sítio em Atibaia e Triplex no Guarujá são símbolos supervalorizados pela mídia, sem de fato terem correlação com alguma comprovada realidade de corrupção para enriquecimento pessoal. Será necessário encontrar o dinheiro em favorecimento próprio, prova que até agora não há, ao menos aquela conta no exterior, não há.


Então, tem-se o depoimento de Léo Pinheiro que não é delação e não entrará no processo. “Eu não entreguei (as chaves do apartamento para Lula e Marisa Letícia, falecida em fevereiro)”, mas Léo Pinheiro também não sabe dizer se alguém disse que foi ele quem entregou as chaves, pois já estava preso (desde setembro de 2016) e por isso não sabe dizer, afirmou. 


Estamos diante de todas as informações para as quais não há nenhuma prova, se ainda falta encontrar a corrupção financeira que finalmente prove que o ex-presidente Lula se enriqueceu via corrupção - e dinheiro de propina Lula não recebeu, e isso é um fato. E enquanto o MPF não encontra tais provas, os advogados do ex-presidente se contorcem para provar que a falta de provas não poderá levar Lula á condenação. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

o mercado do feminismo - os casos de mídia

Passada a euforia dos casos de agressão de gênero acontecidos nos estúdios da Rede Globo (caso José Mayer e BBB), parece ainda mais evidente que os meios de comunicação (direita e esquerda) escolhem as vítimas que subirão ao pódio da agenda pública.

Quando um feminicídio vira manchete? É difícil conseguir tal espaço, ainda que o Brasil tenha a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, segundo a OMS. E as vítimas que ganham alguma mídia, e que sofreram todos os tipos de violência de gênero, servem, tantas vezes, de troféu para empresas de mídia que não têm qualquer responsabilidade social com a desigualdade de gênero. Como os casos recentes da Globo.

Porque a vítima malvada, aquela prostituta, aquela trans, aquela travesti, aquela bi, essas vítimas que não têm espaço na mídia. Essas vítimas que alguns movimentos feministas negam suas lutas e terão de buscar outra ou fazer a própria bandeira.

Há também aquela vítima mais comum, a empregada doméstica, a diarista, a dona da pequena loja na periferia das grandes cidades, as comuns mulheres da classe média que lotam as delegacias da mulher. Essas são também invisibilizadas, todos os dias. Mas quando dá-se já o feminicídio, eis que o corpo será velado pela audiência pública, talvez. E ganham manchete em jornais dito populares.

Marginalizadas, a vítima malvada precisa ser posta frente a frente com a boa vítima, essa que a mídia adora exibir e fazer dela uma propaganda da sua brava luta pelo feminismo e contra a violência de gênero.