quarta-feira, 19 de abril de 2017

o mercado do feminismo - os casos de mídia

Passada a euforia dos casos de agressão de gênero acontecidos nos estúdios da Rede Globo (caso José Mayer e BBB), parece ainda mais evidente que os meios de comunicação (direita e esquerda) escolhem as vítimas que subirão ao pódio da agenda pública.

Quando um feminicídio vira manchete? É difícil conseguir tal espaço, ainda que o Brasil tenha a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, segundo a OMS. E as vítimas que ganham alguma mídia, e que sofreram todos os tipos de violência de gênero, servem, tantas vezes, de troféu para empresas de mídia que não têm qualquer responsabilidade social com a desigualdade de gênero. Como os casos recentes da Globo.

Porque a vítima malvada, aquela prostituta, aquela trans, aquela travesti, aquela bi, essas vítimas que não têm espaço na mídia. Essas vítimas que alguns movimentos feministas negam suas lutas e terão de buscar outra ou fazer a própria bandeira.

Há também aquela vítima mais comum, a empregada doméstica, a diarista, a dona da pequena loja na periferia das grandes cidades, as comuns mulheres da classe média que lotam as delegacias da mulher. Essas são também invisibilizadas, todos os dias. Mas quando dá-se já o feminicídio, eis que o corpo será velado pela audiência pública, talvez. E ganham manchete em jornais dito populares.

Marginalizadas, a vítima malvada precisa ser posta frente a frente com a boa vítima, essa que a mídia adora exibir e fazer dela uma propaganda da sua brava luta pelo feminismo e contra a violência de gênero.

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